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Prólogo
Na cidade cenário de Seattle; Onde foram filmados: Amor Louco, Dez Coisas Que Eu Odeio Em Você e, Uma Vida Em Sete Dias, entre outros; reside Alexandra Müller. (...)

Alexandra é uma garota baladeira, esperta e popular no colégio onde está prestes a concluir o curso secundário; Mas, uma semana antes do baile de formatura, ela percebe que está sem companhia para o tal evento; Deixando-a numa situação “inadmissível” para alguém com seu status. Disposta a conquistar um rapaz digno do título de Rei da Formatura e a manter sua reputação de “celebridade" perante toda comunidade estudantil; Ela passará por maus bocados e situações constrangedoras, antes de constatar que a vida é simplesmente... Surpreendente.

O Poder de Sedução
Sexta-feira
Quinze minutos antes de soar o sinal da última aula do ano... Despreocupadas com todo o resto do mundo do lado de fora do banheiro da Garfield High School; Alexandra e sua amiga inseparável desde a 5ªsérie do ginasial, Kelly; confabulavam sobre qual universidade ingressar dentre as que foram aceitas e, sobre futilidades juvenis tais como: Tom Welling sem camisa no último episódio de Smallville e, sobre o baile de formatura...
- Adivinha quem me vai levar ao baile, Alex.
- O Davan... Ele é seu namorado, não é...? Então, ele tem obrigação de te levar ao baile, certo?
- Errado; Ele me convidou porque gosta da minha companhia; Não por obrigação. Mas, ele não é oficialmente meu namorado, pois ainda não o apresentei aos meus pais. Você acha que devo aceitar?
- Acho que você deve ponderar sobre o número de convites que recebeu... E depois, é pegar ou largar.
- É fácil pegar ou largar no seu caso; Mas não sou tão popular com os garotos quanto você.
- Oh, obrigada; Mas...
- Mas o quê...? – perguntou Kelly.
- Aparentemente estou sem companhia para o baile.
- Aparentemente...? Explique-se, por favor? – indagou Kelly.
- Minha próxima vítima vai ser o Kevin – disse Alexandra, enquanto coloria os lábios com batom pink.
- Esses caras têm músculos no lugar do cérebro, Alex. Um nome: Justin; te faz lembrar de algo...?
- Sim, baseball. Aliás, é a única coisa que ele sabe fazer direito. Mas o Kevin... – suspirou Alexandra. - Acho que correrei o risco de ser a próxima “ex” dele. 

“O maravilhoso Kevin jogava football, era popular e disputado entre as garotas do colégio. O fato dele dispensar as namoradas como quem troca de uniforme sujo não tinha a menor importância para as fãs de carteirinha nos dias em ele que jogava com o time. A questão era: quem domaria aquele potro selvagem...?” 

- Você sabe muito bem o que estão dizendo a respeito dele, Alex.
- Não... O quê...? – perguntou Alexandra, em tom dissimulado.
- Dizem que a Amanda está grávida de dois meses; E um dos “pais do ano letivo” é...?
- Ela inventou essa estória porque não suporta o fato de ser dispensada como as outras garotas. Vingança – alegou Alexandra.
- Olhe... Não adianta defender o cara, pois ele vai ter que assumir o filho ou pagar pensão, ou vai ser preso.
- Sim, meritíssima. Não discutirei o rebento alheio... Mas, por enquanto, ele está disponível e eu também; Então...
Antes que Alexandra pudesse verbalizar o que tinha em mente o sinal disparou anunciando a saída aos alunos da última aula do ano letivo... Quero dizer, aos alunos que não ficaram para recuperação, é claro. Ao silenciar o alarme estrídulo a conversa foi retomada:
- Então o quê? – perguntou Kelly.
- Temos que nos apressar porque escutei o Kevin comentar com os amigos sobre a rave de hoje à noite; E tenho que pegar os meus flyers com o Marky. Então... Vamos nessa, Kelly.
- Olhe... Já aviso de antemão que não irei nessa rave porque sou do hip-hop, okay?! – indagou Kelly, em tom irônico e pôs as mãos na cintura.
- Okay, Missy... – gracejou Alexandra, puxou Kelly pelo braço e apressou-a para que lhe acompanhasse. Momentos depois...
- Hey, Marky!... Aonde você pensa que vai sem deixar os meus flyers...? – indagou Alexandra.
- Xiii! Caramba; Esqueci de vocês duas.
- Nós duas...? – questionou Kelly, com ar de surpresa.
- Aquele cara ali comprou os três últimos – Marky explicou tranquilamente, e prosseguiu:
- Faça o seguinte: anote o endereço do local onde vai rolar a rave, e duas gatas como vocês terão o passe livre, okay? Oh!... Droga!...
- O quê...?! – ambas exclamaram.
- É o aniversário da minha namorada, e não estarei lá para liberar a entrada de vocês.
- Deixe os nossos nomes com alguém – sugeriu Alexandra.
- Nossos nomes...? – questionou Kelly, mas foi ignorada.
- Não dá porque não tenho amizade com o cara que me pagou pelo serviço que acabei de fazer; E o pessoal que organizou essa balada quer usar os flyers como tickets para controlar a entrada no local... Me desculpem... Sinto muito...
- Sinto muito uma ova!... Compre os flyers de volta!... – exclamou Alexandra, e agarrou no colarinho do uniforme escolar de Marky.
- Calma... – apaziguou-a Kelly, e prosseguiu: - Você nem tem certeza de que o Kevin vai estar mesmo nessa droga de rave.
- Ele vai sim!... – exclamou Alexandra, e prosseguiu:
- Vem comigo... Temos que comprar os flyers daquele babaca ali, pois este aqui vendeu os três últimos – ela reclamou olhando para Marky, e pôs-se a caminhar apressadamente na direção do rapaz que, despediu-se dos amigos com os quais conversa a poucos metros de onde elas estavam, preparou-se para partir e assentou em sua scooter. Enquanto caminhava ela desabotoou alguns botões da blusa do uniforme escolar e transformou num top... E, em seguida, encurtou a saia do mesmo, dobrando-a pelo cós junto à cintura.
- Faça igual a mim, Kelly – ordenou Alexandra.
- Enlouqueceu...?! Sou uma moça de família, esqueceu...?
- Também sou; Tenho pai e mãe, esqueceu...? – ironizou Alexandra, e insistiu: - Rápido!...
- Se o Davan me pega desse jeito... Era uma vez meu namorado – murmurou Kelly.
- Hey, lindinho!... – exclamou Alexandra, e prosseguiu: - Conhece alguém com flyers da balada que vai rolar para vender?
- O cara dos flyers é o Marky; Mas acho que ele...
- Te vendeu os três últimos – finalizou Kelly, e levou uma cotovelada de Alexandra.
- É verdade. Então... Acho que não posso ajudar vocês... Sinto muito – concluiu o rapaz, e pôs a chave na ignição.
- Espera!... – exclamou Alexandra, agarrou-o pelo braço, e prosseguiu: - Nós queremos tanto ir nessa rave... Fala para ele, Kelly...
- É verdade, querido – afirmou Kelly, olhou para Alexandra e ergueu os ombros, pois não tinha mais argumentos.
- Quanto você quer pelos flyers? – perguntou Alexandra, e abriu uma carteira que tirou de sua mochila e começou a contar as notas...
- Não posso vender meus flayers... Sinto muito...
- Ah, entendi... Safadinho... Você nos daria o prazer da sua companhia, não é...? – perguntou Alexandra e deu uma piscadela para o rapaz que, sentiu-se tentado com o convite, mas explicou:
- É que... Meus dois amigos ficarão chateados se forem dispensados...
- Você é gay...? – perguntou Kelly, e levou outra cotovelada de Alexandra.
- Oh... Mas, como eles vão ficar chateados se você alegar que não conseguiu os flyers...? Não é verdade, Kelly...?
- Sim, é verdade querido – concordou Kelly, mas sentiu-se contrariada.
- Pensando bem... Não há razão para ficarem chateados sem um motivo para ficarem chateados, certo? – indagou o rapaz, como alguém que se livra do peso na consciência de sua má conduta premeditada.
- Garoto esperto – elogiou-o Alexandra, e prosseguiu: - Oh!... Meu nome é Alex; E esta é a minha amiga Kelly.
- Sou Ronan – disse o rapaz, estendeu a mão e cumprimentou-as polidamente. (...)
Ficou combinado entre os três que ele as encontraria em suas respectivas casas logo mais à noite. Então, eles despediram-se com beijinhos no rosto por iniciativa de Alexandra que, virou-se, enlaçou o seu braço ao de Kelly e pôs-se a caminhar contentíssima por ter conseguido ludibriar o babaca. Alguns passos adiante, Alexandra virou-se novamente, soprou um beijo no ar para o rapaz que, parecia perdidamente apaixonado, e comentou:
- Ele cheira a leite de tão inocente...
- Não existem mais pessoas “tão inocentes”, Alex... Ele aceitou a proposta porque preferiu trocar a companhia dos amigos pela nossa... E não reclama porque você não tem namorado – refutou Kelly, e concluiu: - Até que ele é bonitinho, não acha...?
- Bom..., tem gosto para tudo nesse mundo – respondeu Alexandra, indiferente.
- Mas isto não significa que ficarei com ele por você nessa droga de rave. Quando chegarmos lá: cada um por si... E sorte sua que o Davan tem sarau hoje – discorreu Kelly.
- Sarau...? E você acreditou – gracejou Alexandra. 
(...) Ronan estacionou próximo da residência dos Müller por volta das nove e meia da noite. Kelly ligou no celular de Alexandra e avisou que estavam à sua espera no carro. Alexandra informou aos pais que estava indo ao aniversário do namorado de sua amiga e despediu-se:
- Quero você em casa antes da meia-noite, mocinha. E pegue este dinheiro para o táxi, caso os seus amigos queiram ficar até mais tarde na festa, okay...? – recomendou o seu pai, e entregou-lhe o dinheiro em mãos.
- Lembre de ligar quando chegar lá; Assim, calculamos o tempo que vocês levarão para voltar e não ficaremos preocupados, doçura.
- Okay; Tchau – disse Alexandra, atônita.
- Querido... A nossa princesinha está crescendo, não acha? Ela nunca saiu de casa tão tarde... E sem a nossa companhia – comentou a mãe de Alexandra.
- É verdade, querida. Acho que temos sido demasiadamente liberais com ela – respondeu o pai, e prosseguiu: - O mundo lá fora é tão tentador e cruel... – Olharam um para o outro... - Você procura nas gavetas da cama e da penteadeira, enquanto vasculho o closet do quarto dela...
- Certo... Não podemos ser displicentes com a educação da nossa única filha... Qualquer pó além de poeira significa: “Clínica para dependentes químicos” – ambos concordaram em sintonia de pensamento e voz. (...)
- E aê, Kelly!... – Cumprimentou Alexandra, e prosseguiu: - Pensei que seus pais não fossem te deixar sair de casa hoje à noite. O que você disse para eles?
- Disse que ia ao aniversário do seu namorado. O meu pai estava assistindo basketball e não deve ter escutado uma palavra do que eu disse; Mas a minha mãe pediu para anotar o telefone e o endereço da rave, quero dizer, da festa. Então, eu disse a ela que não tinha cabimento eu ter o telefone do namorado dos outros, anotei o seu endereço e saí de casa à francesa, antes dela perceber o golpe... Mas quando chegarmos à festa, quero dizer, à rave; Terei que ligar para casa e você fala com a minha mãe e diz o básico tipo: “Estamos bem!...” Então me despeço e desligo para ela não te “alugar”, okay?
- Okay... Moleza, se comparado às recomendações dos meus pais... Você sabe como eles são...
- Oi, Ronan. Que carro maneiro... É seu? – perguntou Alexandra.
- Claro... que não. Meus pais estão num spa para casais... E eles são confiados comigo – respondeu Ronan, com o esboço de um sorriso nos lábios.
- Você me surpreende a cada minuto, Ronan – comentou Alexandra, e sorriu. (...) 

Encontros Efervescentes
Ronan guiou até chegarem num bairro soturno com terrenos baldios e muitas fábricas... Entre elas localizaram o endereço impresso nos flyers que, apesar de lúgubre, estava iluminado por algumas luzes...
- O endereço está correto...? O lugar parece abandonado, Alex – comentou Kelly, temerosa.
- Desliga o som do carro, Ronan. Estão escutando a música...? – perguntou Alexandra.
- Sim; E vem do interior da fábrica. Vamos entrar...? – perguntou Ronan.
- Acho melhor irmos embora – propôs Kelly.
- Acho que você devia ter ido filosofar no sarau... Seria muito mais divertido, não acha...? – indagou Alexandra, em tom irônico.
- Não seja rude... – respondeu Kelly.
- Você vai entrar conosco ou não? Decida-se logo, por favor – indagou Alexandra, em tom ríspido.
- O que a gente não faz pelas amigas... – resmungou Kelly e fitou-a nos olhos.
- Ótimo. Então... Vamos nessa, Ronan – ordenou Alexandra, e sorriu.
- Sim, madame... – gracejou Ronan, e guiou para o interior da fábrica.
Desceram numa rampa lateral da fábrica que os conduziu até uma garagem no subsolo; Ronan estacionou num local estratégico e pouco iluminado com o intuito de evitar o furto do automóvel de seus pais. Caminharam na direção de algumas pessoas que fumavam e bebiam sabe-se lá o que em copos descartáveis... E aquelas pessoas indicaram o elevador de carga para que eles pudessem chegar ao galpão onde rolava a ferveção. Eles podiam escutar o som das batidas eletrônicas aumentar na medida em que o elevador subia lentamente; Então, Kelly sugestionou:
- Temos que ligar para os inspetores da condicional, Alex.
- Okay. Celulares ligados... Três, dois, um, teclar!... – coordenou Alexandra, em ordem decrescente; E segundos depois...
- Mãe...? Oi... Acabamos de chegar, e estamos bem...
- Não beba nada alcoólico, e cuidado com os rapazes mal intencionados, doçura – recomendou a mãe de Alexandra à filha.
- Oi, mãe. Posso saber por que você demorou tanto para atender? – indagou Kelly. - Não... Não diga mais nada e poupe-me da libertinagem conjugal. Bem... Acabamos de entrar na festa. Está escutando a música...? – ela afastou momentaneamente o celular do rosto, e prosseguiu: - Diga “olá” para a Alex e o Ronan, mãe. – Kelly direcionou o celular para que eles pudessem cumprimentá-la: - Olááá! – os dois exclamaram.
- Não beba nada alcoólico e esteja em casa no horário combinado, bebê – recomendou a mãe de Kelly à filha.
- Por favor, não me chame de bebê... Tchau mãe; Amo você!... – despediu-se Kelly.
- Não se esqueça de ligar quando estiverem de saída, e se te oferecerem drogas; Apenas diga... – Alexandra interrompeu-a antes de concluir o clichê, e despediu-se:
- Tchau mãe; Amo você!...
Quando o elevador parou e a grade da cabina foi aberta... Um céu psicodélico em 3D abriu-se diante deles numa incandescente dance floor; E era exatamente tudo o que aqueles três jovens precisavam para liberar toda adrenalina contida pelo cotidiano insípido de suas vidas regradas.
- Demais!... – exclamou Alexandra, e concluiu: - Bem... Como você disse: “Cada um por si”, Kelly.
- De jeito nenhum!... – exclamou Kelly, agarrou o braço de Alexandra, e prosseguiu: - Você acha que ficarei largada no meio desses “malacos” de rua...?!
- Não faz drama porque já avistei uma galera do colégio ali, dançando... E olha!... Têm outros ali, papeando... – apaziguou-a Alexandra, e prosseguiu: - Então... Relaxa e curte "di boa", okay...? Eu e o Ronan estamos de olho em você, e não deixaremos ninguém lhe encostar um dedo; Certo, Ronan...?
- É verdade, Kelly. Somente se você quiser que alguém encoste as mãos, é claro – disse Ronan, e lançou-lhe um olhar sedutor meio engraçado.
- Se ela quiser ficar com você eu te aviso Ronan – advertiu-o Alexandra.
- Ela quer dizer que tenho namorado, Ronan – explicou Kelly.
- Oh... Então, cada por si. Whoo-hoo!... – comemorou Ronan, e prosseguiu: - Aqui está cheio de gatas!...
- Vê se não desaparece, don Juan... Nós precisamos voltar juntos para não estragar o esquema, entendeu...? – indagou Alexandra.
- Entendido; câmbio e desligo – concordou Ronan.
Nesse momento Alexandra encontrou Kevin com dois amigos entre os clubbers transeuntes... O rapaz parecia descontraído, enquanto “gingava” embalado pela música.
- Kelly, olha!... É o Kevin!... – exclamou Alexandra.
- É mesmo – disse Kelly, indiferente, e prosseguiu: - Segura a onda, pois se ele assobiar é capaz de você sair correndo e abanando o rabo. Seja cautelosa ou vai ser dispensada na frente dos amigos dele, Alex.
- Sai agourenta!... Você acha que serei dispensada por ele, Ronan...? – perguntou Alexandra, fazendo charminho e piscando sucessivamente.
- Só se ele for gay – gracejou Ronan, e prosseguiu: - Buscarei cervejas para nós, garotas.
- Acho que não é uma boa ideia, Ronan – comentou Kelly.
- Por mim tudo bem, Ronan. Um copo de cerveja não me vai me deixar bêbada; E nem a você, Kelly – argumentou Alexandra.
- Okay... Pode trazer uma cerveja para mim também, Ronan – disse Kelly, para não se sentir careta ante os dois.
- Você me ajuda com os copos, Kelly? – perguntou Ronan.
- Você é um garoto esperto, Ronan... Tenho certeza de que você consegue trazê-los, sozinho. – Quando Ronan afastou-se, Alexandra comentou:
- Você aprende rápido, não é...?
- E quem é a minha mentora...? – indagou Kelly, em tom irônico.
- Eu, eu, eu – respondeu Alexandra, e sorriu.
Mas algo inesperado aconteceu quando Amanda, a suposta grávida chegou e aproximou-se do suposto pai de seu rebento em questão... Então, Kevin afastou-se dos amigos e conduziu Amanda pelo braço até um lugar onde pudessem conversar com mais discrição. Alexandra e Kelly continuaram a observar, perplexas. Kevin falava, gesticulava e apontava o dedo ante a face de Amanda que, por sua vez, parecia uma atriz num dramalhão, quase aos prantos. Alexandra começara, a partir daquele momento, a pensar seriamente na veracidade da estória sobre a paternidade do seu praticamente futuro ex-namorado quando; Ronan voltou equilibrando as cervejas para lhes entregar em mãos...
- Quase perdi vocês, garotas. Este lugar está bem agitado e lotado também – comentou Ronan, e prosseguiu: - Aqui estão as cervejas: Seu copo, Kelly... E pegue o seu, Alex – disse Ronan, e desviou a atenção de Alexandra por alguns instantes.
- Valeu, Ronan – agradeceu Alexandra, e voltou a observar por cima dos ombros dele.
- Obrigada Ronan – agradeceu Kelly.
- O que a Alex está procurando, Kelly? – perguntou Ronan, pois percebeu que Alexandra olhava além do que estava diante do seu campo de visão.
- O Kevin – respondeu Kelly, sem entrar em mais detalhes.
- O cara que engravidou a Amanda – comentou Ronan, inocentemente.
- Viu, Alex!... – exclamou Kelly, e prosseguiu: - Já caiu na boca do povo e virou “lenda urbana”.
- Parem com essa estória de gravidez, por favor. Fico enjoada só de ouvir a palavra – resmungou Alexandra.
Mas, voltando ao ápice da discussão entre o suposto “casal” que, aliás, não era possível discernir o seu teor por causa do som alto da música... 
Kevin virou-se abruptamente, caminhou na direção do toalete masculino e entrou seguido por Amanda. Momentos depois ele saiu do toalete com Amanda que o perseguia pelo salão e chamava o seu nome; Ele, por sua vez, se fez de surdo aos apelos dela, despediu-se dos amigos e entrou no elevador acompanhado por ela... E mantendo-se afastado fisicamente, ignorou a presença de Amanda ao seu lado.
- Nããão!... – exclamou Alexandra, sob o olhar espantado e curioso das pessoas ao redor e, depois prosseguiu: - Ele foi embora, Kelly – murmurou chorosa.
- Preciso tirar água do joelho, garotas – argumentou Ronan, constrangido.
- Se ele foi embora significa que aquela “estória” é verdadeira, Alex. Pare de chorar o esperma derramado e fique feliz por não ser uma das “mães do ano letivo”. Tente divertir-se, okay...? Têm muitos rapazes nesta rave; Basta escolher um cara legal, e que esteja disponível para o baile de formatura.
- Você tem razão, Kelly – e, de um gole, bebeu toda cerveja em seu copo; Depois acrescentou: - Vou arrebentar a boca-do-balão!...
- Calma criança – apaziguou-a Kelly, e argumentou: - Você tem apenas dezessete anos, e o mundo não vai acabar amanhã. Vamos dançar um pouco para descontrair – propôs Kelly.
- Okay... – concordou Alexandra, mas antes de entrarem na pista de dança; foram retardadas por Ronan que havia retornado e indagou:
- Posso dançar com vocês, garotas?
- Claro... que não – respondeu Kelly, em tom irônico.
- Claro que pode, Ronan... – replicou Alexandra, e concluiu: - Mostre o que sabe fazer com duas garotas, lindinho... – apimentou.
- Yeah babies!... – comemorou Ronan, e foi para a pista de dança na companhia das duas beldades.
Enquanto os três dançavam – sem esfregação e numa “di boa” –, Alexandra percebeu que um rapaz – recostado e com uma perna flexionada escorada na parede – estava olhando-a fixamente do outro lado da pista. Infelizmente, não era possível vê-lo nitidamente por causa da considerável distância entre eles, e da parafernália pirotécnica que girava e piscava as luzes ao mesmo tempo... Mas o rapaz despertou a curiosidade de Alexandra com sua atitude intrigante e misteriosa de apenas observar para o seu próprio deleite. (...) Momentos depois ele moveu-se na direção da pista de dança e, enquanto caminhava; Alexandra pôde então contemplá-lo, minuciosamente... Alto; Porte atlético; Cabelo castanho claro e comprido até a base do pescoço; Expressivos olhos verdes adornavam o belo rosto de traços perfeitamente harmonizados. E ao aproximar-se o suficiente de Alexandra – a ponto de chamar a atenção de Kelly e Ronan –, ele simplesmente começou a dançar sem desgrudar o olhar do seu objeto de desejo e, ambos flertaram e trocaram olhares maliciosos por alguns momentos... Então, Alexandra aproximou sua silhueta sinuosa ao corpo esbelto do rapaz e continuaram a dançar e seduzir um ao outro, embalados pela trilha sonora que emoldurava aquele momento singular que emergiu no meio daquele caos...
Quando outra música começou a tocar, Alexandra segurou na mão do rapaz, o conduziu para longe da pista de dança e procurou por um lugar para sentarem e conversarem melhor...
- Você dança muito bem – elogiou-o, e prosseguiu: - Oh, desculpe-me; Meu nome é Alexandra; Mas pode me chamar de Alex; Uma Pantera aos seus serviços – gracejou, e estendeu a mão para cumprimentá-lo.
- Malev – disse o rapaz, e cumprimentou-a.
- Oh, malev para você também – retribuiu Alexandra.
- Meu nome é Malev – explicou.
- Oh, me desculpe... Pensei que fosse gíria nova... Ou uma saudação em hebraico; Tipo... Mazel tov!... Ou... Ein sof!... É que ultimamente tem muita gente aderindo ao judaísmo, sabe... Cabala... – argumentou Alexandra, encabulada.
- Nada contra os judeus, mas sou londrino.
- Oh!... Reino Unido!... – Alexandra dissimulou estar surpresa, apesar de ter notado o sotaque britânico do rapaz, e prosseguiu: 
- Londres parece tão... Fria. Mas refiro-me ao clima, não aos londrinos...
- Você tem razão..., mas apenas quanto ao clima. Londres pode ser romântica, aconchegante e animada também. Nossas raves são as melhores, por enquanto.
- De qualquer modo... Seja bem-vindo!... – Alexandra ergueu o seu copo de cerveja e brindou com Malev: Aos novos amigos!...
- Então... O que você faz aqui, em Seattle? Trabalho, turismo...? – indagou Alexandra.
- Oh, não... Tive problemas de território com um traficante e tenho que dar um tempo por aí... Quando ele for apagado pelos meus capangas, volto aos negócios na minha cidade natal. – Silêncio; Risos. - Sou modelo. Sabe... Fotos, desfiles... E mais algumas chatices glamourosas – gracejou. - Mas volto para Londres na segunda-feira. A propósito, quantos anos você disse que tem...?
- Dezessete... Quero dizer, vinte e dois – Alexandra engasgou com a cerveja, e prosseguiu:
- Espera...?! Você vai embora na segunda-feira...?!
- Você disse que tem dezessete anos...?! – Malev indagou surpreso.
Eles foram interrompidos por alguém aos berros em tom de discussão; E, movida pela curiosidade, Alexandra foi ver do que se tratava aquele barraco, pois uma das vozes lhe pareceu familiar. (...) Tudo começou quando Kelly esbarrou em alguém e, quando tentou se desculpar constatou que o Davan – o suposto namorado dela – dançava com uma garota.
- Davan?! O que você faz aqui...? – indagou Kelly, e prosseguiu:
- Quem é essa garota...? Você devia estar filosofando!... – Ouviram-se risos ao redor que, foram silenciados pelo olhar fulminante de Kelly.
- Estou me divertindo um pouco!... Exatamente como você parece estar!... – respondeu Davan, olhou para Ronan e indagou: - Quem é o seu novo amigo...?! Aliás... Ele é seu amigo ou o quê...?!
- Ele é apenas meu amigo!... Só estávamos dançando!... E não me venha com essa de ciúmes! Vamos!... Explique o que faz aqui com essa garota!... – indagou Kelly. 
Nastacia – a outra garota envolvida na história – também quis saber o que estava acontecendo... Ronan tentou se safar e alegou que foi uma "pegada" do passado, mas ela (Kelly) insistia em perseguí-lo.
- Seu safado!... – xingou-o Kelly, exaltada. - Quem você pensa que é?! Michael Douglas?! Você acha que ela acreditou nessa estória...?! Só se além de vagabunda ela for estúpida!...
- Um momento!... – protestou Nastacia. - Respeito no seu vocabulário, garota!... Se ele está comigo, é porque você não significa mais nada para ele!...
- Quer saber...?! Pode ficar com esse... Safado!... Estou indo embora!... Porque se eu ficar... Vomitarei nos dois!... – concluiu Kelly, encolerizada.
Quando Alexandra se lembrou de procurar por Malev, ele havia desaparecido. Kelly olhou para Ronan e pediu para que ele as levasse embora daquele lugar; Puxou Alexandra pelo braço e procurou pela saída. Alexandra estava chateada, mas tinha que consolar a sua amiga; E, durante o caminho de volta para casa, ela imaginou que tudo poderia ter acontecido diferente... Se as circunstâncias lhe tivessem sido mais favoráveis, é claro...
"Oh... Droga!... O que farei agora que o Kevin está enroscado com aquela... Grávida!... Pensando bem... Eu poderia convidá-lo para o baile de formatura, porque ela só vai ter o rebento daqui há uns... seis meses. Mas... E se ela aparecer no baile e armar a maior muvuca..." – pensava Alexandra quando; abruptamente foi interrompida por Kelly que lhe indagou:
- Alex?! Em que planeta você está...? O Kevin é carta fora do baralho; Esqueçe!... Delete da sua mente; E ligue para minha casa, por favor. Não quero encontrar meu pai nu, correndo atrás da minha mãe vestida de doméstica... Ou enfermeira... Ou... Não importa a fantasia; Apenas... Chega de transtornos por hoje. (...) 

Futuro Garantido - Parte 1
Sábado
- Alexandra!... Acorda! – ordenou a sua mãe, e adentrou no quarto da filha. - Já passa de uma da tarde!... (11h45am) - A Kelly te ligou... Ela disse que ligou para o seu celular, mas você não atendeu – abriu as cortinas e levantou a vidraça da janela do quarto. - Que dia lindo!... E você está perdendo porque está a hibernar sob as cobertas. Foi bom ter chegado mais cedo ontem, mas você traiu a nossa confiança porque não ligou para avisar que decidiu retornar naquele horário.
- Bom-dia, mãe... – bocejou sonolenta. - Desculpe... A festa estava tão chata que tivemos que sair de lá mais cedo.
- A propósito... Você sabe o que vestir para o baile de formatura...? Que não seja nada decotado ou curto demais. Um Chanel seria apropriado, pois é prático e elegante. Seu namorado vai usar terno ou algo esportivo...? Oh... Claro que ele vai estar elegantemente trajado... Afinal de contas..., a mãe dele foi host naquele programa sobre o estilo dos famosos... Qual era mesmo o nome do programa...? Ah; isso não importa no momento. O pai dele se veste impecavelmente... Mas não precisa pensar nisso agora, okay? Durante o café da manhã conversaremos melhor. Levante-se e lave o seu rosto... E se você demorar mais quinze minutos, lhe servirei o almoço. 
Durante o café da tarde, quero dizer, café da manhã...
- Bom-dia, princesinha – cumprimentou-a o seu pai, beijou-lhe a testa, e prosseguiu:
- Na próxima semana você vai receber o seu diploma, certo...?
- Certo... – respondeu Alexandra, apática: "Foi por isso que tolerei a chatice do ano letivo...?", pensou.
- Estamos orgulhosos, pois você sempre teve notas louváveis. Aquele rapaz...? O Justin... Ele vai te levar ao baile ou você precisa de carona do papai?
- Pai, você está desatualizado... Não estou namorando o Justin...
- Não...?! Então... Quem é o seu namorado...? – indagou a sua mãe, surpresa por desconhecer o fato.
- Ninguém... O importante é o diploma, certo? Porque o baile é só um pretexto para angariar fundos para o colégio - concluiu Alexandra, em tom racional e conformado.
- Como pôde dispensar o Justin, doçura. O pai dele é gerente de um banco conceituado; E a mãe dele foi host naquele programa sobre o estilo dos famosos... Qual era mesmo o nome do programa...? – divagou.
- Sua mãe tem razão... O rapaz foi bem educado pelos pais... Certa vez, ele confessou para mim que vai deixar o baseball para estudar medicina, a pedido dos pais. Uma atitude exemplar, não acha...? – Alexandra não deu a mínima importância para o argumento apresentado e, continuou a degustar o seu café da manhã, pois: "Todo rapaz faz promessas para conquistar os pais de uma garota", pensou. E, ainda insatisfeito, o seu pai prosseguiu:
- Princesinha... Quando vi sua mãe saltar e rodopiar naquele uniforme de cheerleader... Tive a certeza de que ela era minha eleita. Não compreendo como os adolescentes da sua geração podem ser tão volúveis...
- Lindo!... Mas agora estamos no século XXI, e precisamos experimentar todas as opções antes de tomar qualquer decisão. É um comportamento comum e saudável entre os jovens da minha geração – levantou-se da mesa e agradeceu pelo ótimo desjejum, antes de ausentar-se.
- Querida... Você teve aquela... "Conversinha de mulher" com ela...? Sobre... Preservativos... Gravidez... – perguntou o pai de Alexandra para a esposa.
- Estamos no século XXI, querido. Eles aprendem sobre tudo isso na internet e na MTV – ela respondeu, ironicamente. 

Shopping
- Mãe; Pai; Irei ao clube com a Kelly. Não se preocupem, okay? Estou com o celular, e está ligado. Tchau!...
- Nossa piscina é de proporções olímpicas, Alexandra. Convide-a para vir a nossa casa, doçura... E ela pode convidar o namoradinho dela, o Ronan... – argumentou a sua mãe.
- É que... Nós queremos escorregar no tobogã; E aqui não tem tobogã... Quem sabe outro dia; Tchau!... – virou-se e saiu apressadamente. (...)
O dia estava perfeito para pegar um bronze à beira da piscina, e conferir os garotos. Kelly deixou o seu carro num estacionamento a poucos metros do Acquafresh Club e, depois, foram caminhando despreocupadas até a sociedade recreativa... Mas deram de cara com o seguinte letreiro: "Fechado para Manutenção".
- Nããão!... Este lugar tem que ser demolido, explodido e devastado!... – protestou Alexandra, quase fumegando pelas ventas.
Algumas quadras dali... Na piscina de proporções olímpicas... A revolta de Alexandra impactou o ambiente de maneira inusitada...
- O que foi isto?! – exclamou o pai de Alexandra, e sentou-se na cadeira onde se bronzeava ao sol...
- Não se preocupe... – respondeu a mãe de Alexandra, e concluiu: - Foi apenas mais um pequeno tremor de terra. Estamos em Seattle... Esqueceu, sweetheart.
- Oh... – disse o pai, recostou-se na cadeira de sol e tornou ao seu bronzeamento. Enquanto isso... As garotas estavam a caminho do estacionamento...
- Calma... Tive uma idéia... Podemos ir ao shopping porque sempre têm uns garotos interessantes... E hoje não deve ser diferente... – sugeriu Kelly.
- Nestes trajes...? – questionou Alexandra.
- Está calor!... Ninguém vai reparar...
- Esteja certa disso... Porque não quero ser barrada na entrada.
- Vai bancar a ingênua, comigo...? Seguranças adoram garotas que usam pouca roupa... 
(...) É claro que elas não foram barradas e desfilaram despreocupadamente pelo shopping; Quando um rapaz "interessante" fez desviar o olhar de Alexandra das vitrines... Mas o distraído não percebeu que estava sendo observado. "Um esbarrão, seguido de um olhar cobiçoso, e um 'oi', seriam perfeitos para a ocasião", arquitetou Alexandra; E depois de uma corrida completa naquele quarteirão de lojas, ofegantes elas caminharam na direção do rapaz que, parou de caminhar, cumprimentou uma garota beijando-a nos lábios e, de mãos dadas, continuaram o seu passeio.
- Kelly; Me dá uma coelhada na cabeça... Porque só uma pata de coelho não vai resolver o meu problema.
- Não esquenta... Isso foi só um contratempo – argumentou Kelly.
- Kelly!... Olha!...
- Queima de estoque!... – exclamaram juntas, lendo o anúncio no cartaz de uma vitrine.
- Vamos dar uma olhada...? – propôs Alexandra.
- Ótima ideia... Talvez tenha algo bonito e sexy para usarmos no baile de formatura.
Duas horas e trinta e sete minutos mais tarde... Havia muita roupa empilhada no balcão, pois a vendedora não parava de trazer peças de acabamento impecável, e preços irrecusáveis...
- Chega!... Você tem o que precisa para o baile e para toda população carente da cidade – murmurou Kelly.
- Okay... Passe o seu cartão de crédito porque esqueci de pegar o meu – requisitou Alexandra.
- O quê...? E por que você acha que eu levaria o cartão de crédito para a piscina? Tenho cento e cinquenta dólares. O bastante para um suco de frutas, um lanche natural, água e... Talvez um sorvete diet.
- Tenho apenas cento e vinte pratas... O que não dá para pagar nem a metade do que compramos. Que maravilha... – resmungou Alexandra, olhou ao redor como quem procura a saída de um labirinto e pensou em algo que as livrasse de uma situação constrangedora iminente.
- Só comprei um vestido... – argumentou Kelly.
- E os saltos, os acessórios, e um casaco também... – refutou Alexandra.
- Ouvi alguém dizer casaco...? A senhorita precisa de algo mais...? – perguntou a vendedora da loja.
- Sim... – respondeu Alexandra, e tentou camuflar a situação. - Pode incluir aquele casaco preto felpudo... Ele é tão legal... E é idêntico ao que a Britney Spears usou naquele videoclipe. O casaco está naquela seção do outro lado da loja, bem lá atrás... Você me faria a gentileza de buscá-lo...?
- Sim, claro... O que a senhorita desejar basta pedir... – e quando a vendedora se afastou, Kelly indagou:
- Que casaco...?
- Não importa – respondeu Alexandra, puxou-a pelo braço e sussurrou:
- Vamos sair logo daqui...
Enquanto a vendedora foi buscar o suposto casaco; Elas se esquivaram por entre as araras e os mostruários até saírem da loja, furtivamente.
- Você acha que ela vai acionar a segurança...? – indagou Kelly, temerosa.
- Nããão... Não roubamos nada... Não esquenta... O meu pai conhece o advogado da Wynona Ryder – gracejou Alexandra. - Olha!... Filme novo com o Leonardo DiCaprio!... Vamos assistir ao filme, Kelly?
- Sim... Aquelas compras me deixaram exausta... Preciso sentar e relaxar... E curtir o Leo, é claro. Será que ele ainda está gordo como no filme Gangues de Nova York...? (...)
Depois da pipoca, do refrigerante zero, e da sessão de cinema; Elas foram para casa felizes porque o "Leo" estava “lindooo de viver”, quero dizer, esbelto. Naquele sábado à noite Kelly ligou para Ronan, e o convidou para um domingo no parque de diversões. Na verdade, o passeio era apenas mais uma oportunidade para flertar com os rapazes, pois Kelly estava solteira e disposta a investir seus sentimentos em Ronan e, Alexandra, continuava sem companhia para o baile de formatura. ♫ Love is in the air ♪ Everywhere I look around ♫ Será...?! 

Algodão-doce
No domingo à tarde os três se entreteciam feito crianças no parque de diversões; Mas Alexandra estava atenta aos rapazes... E Kelly, com discrição, tentava demonstrar seu interesse por Ronan que, pareceu entender os sinais... Finalmente, sex-appeal à vista: cabelo castanho escuro e olhos azuis quase cinzas; Bronzeado à mostra sob uma regata branca – que emoldurava perfeitamente o belo tórax –, e vestia jeans surrado, apertado. Alexandra teve que se conter para não estapear aquele bumbum tentador... O rapaz foi para fila da montanha-russa, seguido por Alexandra, Kelly e Ronan. Por sorte, ela conseguiu sentar-se ao lado dele, e tentou uma conversa amistosa com o rapaz:
- Oi. Sou Alex... –– e estendeu a mão.
- Lucas – cumprimentou-a.
- Montanha-russa detona, não é...? – perguntou Alexandra, e tentou sustentar o diálogo.
- Depende da montanha-russa – respondeu o rapaz, sem demonstrar interesse na conversa. Porém, ela insistiu e prosseguiu:
- Já estive no Disney World... Eu tinha 12 anos na época... – concluiu Alexandra, encabulada.
- Ótimo... Toda criança deve ir à Disney, World... – comentou Lucas; Pouco antes do sinal da partida, e iniciarem o passeio das vagonetes da atração. E como sabem todos os que já experimentaram: um passeio de montanha-russa é tão demorado quanto uma transa com ejaculação precoce. Foi aquela histeria com gritos, algumas piruetas e, fim. Enfim, era o momento de trocar ideias, telefones e... Alguns beijos...?
- Você está bem? – perguntou Lucas.
- Sim, estou bem – respondeu Alexandra, com feição nauseada no rosto pálido.
- Whoo-hoo!... Radical!... – comemorou Ronan, e indagou:
- Curtiu o passeio, Alex? – A resposta foi um súbito jato de vômito róseo...
- Minha nossa!... Você está bem...? – indagou Kelly.
- Não... – murmurou Alexandra, encurvada e com as mãos no ventre.
- Você não devia ter devorado tanto algodão-doce – comentou Kelly. - Vem comigo... Você precisa lavar o seu rosto. Rapazes; Voltaremos logo...
- Vamos sair daqui porque o cheiro está insuportável – propôs Ronan.
- Então... Você é o namorado daquela outra garota? – perguntou Lucas, enquanto caminhavam na direção do toalete feminino...
- Oh... Não. Somos apenas amigos... Por enquanto. Mas ela está me olhando de um jeito diferente, sabe...
- Garota de sorte... Te observei na fila da montanha-russa e gostei, sabe... – comentou, fitou Ronan nos olhos, e concluiu: - Mas..., tanto faz..., cheguei tarde... – gracejou. Ronan esboçou um sorriso encabulado nos lábios, olhou ao seu redor..., tentou disfarçar e preferiu fingir que não havia escutado aquela cantada, pois estava constrangido e sem palavras. - Bem... Estimo melhoras para Alex. Tchau... – despediu-se Lucas.
- Tchau... – respondeu Ronan, com ar de surpreso e suspirou aliviado.
Momentos depois... Alexandra regressou na companhia de Kelly, procurou por Lucas ao seu redor e indagou:
- Cadê o cara, Ronan...? Aonde ele foi...? – Alexandra olhou ao seu redor e procurou outra vez pelo rapaz... - O que você disse para ele...? Desembucha!... Rápido!
- O cara é gay – ele respondeu de imediato.
- O quê...?! – exclamou Alexandra.
- E ele disse até que sou gato... Quero dizer, ele não disse exatamente gato, mas..., deixou claro que gostou de mim..., e me olhou de um jeito diferente, sabe... – gabou-se Ronan, ao contar.
- O quê...?! – exclamou Kelly.
- E quando deixei claro que não estava interessado, ele foi embora – concluiu Ronan, e tentou mascarar o orgulho pela cantada que recebeu do rapaz, pois afinal de contas, ele tinha que afirmar o seu status de hétero convicto perante Kelly.
- Você está tirando onda com a minha cara, não é...? Onde ele está...? – Alexandra procurou novamente pelo rapaz ao seu redor, mas constatou que Ronan realmente lhe falara a verdade, pois não obteve êxito em encontrá-lo.
- Ah!... Ele estima melhoras – lembrou-se Ronan. (...)
O fim-de-semana foi um fiasco... Mas Alexandra não pensava em desistir; Porém: "Onde encontrar um cara legal...?", questionava consigo, enquanto recuperava-se do enjoo causado pelo algodão-doce. (...) Findou-se o domingo com aquela incógnita; E, aconchegada em seu leito, ela adormeceu de cansaço; Sem ter a menor ideia de como, onde, e o que fazer para encontrar alguém que lhe acompanhasse ao baile de formatura. 

Futuro Garantido - Parte II
Segunda-feira
No dia seguinte, Alexandra despertou por volta do meio-dia; E, depois fazer... “xixi”; Ela ligou para Kelly que, lhe sugeriu o karaokê mais badalado da cidade. A estratégia: subir no palco, cantar uma música legal e mandar ver na performance... Depois que desligou o celular, Alexandra “viajou na maionese” e cantou I Love Rock 'n' Roll diante do espelho... Depois se lançou na cama e, deitada, imaginou um dueto com Rick Martin para a música Cruisin'... "Knock-knock" a sua mãe bateu na porta do quarto e, adentrando perguntou:
- Posso entrar doçura...?
- Ah, é você mamãe... – constatou Alexandra, e desceu do mundo-da-lua...
- Você está melhor...? – perguntou a sua mãe, e sentou-se na cama de Alexandra. - Ontem você não jantou... E preste mais atenção na higiene dos lugares onde você faz as refeições... Pessoas morrem por intoxicação alimentar, sabia... – deixou a bandeja com o café da manhã em cima da cama, e prosseguiu: - Você tem que se alimentar para recobrar o ânimo. A propósito... Seu pai quer saber quando você pretende ligar para o Justin... Aliás... Falei com a mãe dele ontem... E ela me disse que ele não está namorando... O que você acha...? 
- Acho que não estamos no século XVIII; E acho que consigo encontrar um cara legal sozinha. Além do mais... O Justin passa tempo demais com o time de baseball. E agindo desse jeito, como ele vai conseguir conquistar alguém...?
- Ele te ligou várias vezes, mas você nunca atendeu... Você até trocou o número do seu celular... Qualquer um teria desistido... Por que você não me contou que havia terminado o namoro, doçura...? Sempre conversamos sobre tudo e nunca tivemos segredos entre nós.
- Mãe; Isso é o que o seu terapeuta diz quando descobre que você omitiu algo... Mas o que ele te diz não é a verdade sobre o relacionamento familiar.
- Eu sei... Mas o importante é tentar mudar o mau costume dos antepassados... Ou nunca vai haver entendimento entre pais e filhos. Bem... de qualquer modo; Achei que fosse apenas uma briga boba de namorados – levantou-se, e concluiu: 
- Pense bem... Porque um dia ele vai ser um ótimo atleta, quero dizer, médico – e antes de sair do quarto recomendou à filha:
- Levante-se, lave o seu rosto e tome o seu café da manhã, Alexandra.
- Mãe... Prometo que pensarei a respeito.
- Okay... Sem pressão – concluiu a sua mãe, antes de ausentar-se do aposento. E algumas horas depois...
- O que temos para almoçar? – perguntou Alexandra.
- As sobras de ontem... Sopa de aspargos de entrada... Salada; Rosbife e lasanha.
- Dispenso a sopa, mas pode trazer a lasanha porque estou faminta.
- Então... Já ligou para o Justin...?
- Sem pressão; Lembra...? – perguntou Alexandra.
- Estou insistindo porque é o melhor para o seu futuro... Quando conheci o seu pai no colegial não me importei se ele era um nerd... Apenas visualizei o nosso futuro e ele me pareceu... Confortável.
- Você amava o papai...? Estava apaixonada por ele...?
- Me recordo que o meu pai estava desempregado... E começar a namorar o seu pai naquele momento complicado pelo qual passávamos foi uma benção, doçura. Então, num jantar em família, o meu pai, quero dizer, o seu avô conseguiu o posto de engenheiro chefe na empreiteira do seu outro avô, o pai do seu pai. 
- Acho que você não respondeu a pergunta, mamãe...
- Okay... Você vai aprender, cedo ou tarde, que o amor é algo efêmero. E que o mais importante é visualizar o melhor para o seu futuro... Se não casar por amor, tente ser fiel... Mas case sob regime de comunhão de bens, e ature o chato por um ano... Depois engorde alguns quilos, simule tpm o mês todo e diga que você está com enxaqueca quando ele quiser transar... É infalível... Então, contrate um detetive e um bom advogado, porque ele vai correr atrás da primeira biscateira que aparecer. Mas o pior acontece quando as oportunistas que deixam o chato bêbado, ou drogado, ou as duas coisas, engravidam do besta; Prejudicando o saldo bancário de qualquer mulher divorciada. No entanto; O que seria daquelas pobres garotas que engravidam no campus sem o exame de DNA. Sabe... Depois de uns tragos... Chá de cogumelo... Ou de umas biritas... Não sobra espaço na mesma cama para todos – concluiu, rindo: - Bem... Quero dizer... Você já deve ter escutado essas "lendas urbanas" de campus universitário por aí, não é? De qualquer modo... Abençoados sejam os geneticistas e as camisinhas. Respondi sua pergunta, doçura? Temo ter fugido do assunto novamente...
- Respondeu... – disse Alexandra, atônita. - Foi muito... Elucidativo.
- Oh..., que bom. Então... Quando você vai ligar para o Justin...?
- Mãe!...
- Ooops... Sem pressão. Então... Quando iremos comprar o vestido para o baile?
- Mãe, se você não se importar... Gostaria de escolher meu vestido. Prometo não escolher um modelo isca-de-salão.
- Isso não vai acontecer se tiver minha opinião, doçura – argumentou a sua mãe.
- É que... A Kelly vai me ajudar escolher um lindo vestido... Assim, podemos opinar mutuamente sobre o que comprarmos.
- Ficarei magoada, mas fazer o quê...? Você acha que sou antiquada... E talvez você tenha razão, porque se dependesse da minha opinião quando eu tinha a sua idade... Meu vestido de formatura teria cinco centímetros acima dos joelhos, e não cinco centímetros abaixo dos joelhos, como o vestido que a minha mãe escolheu para mim - gracejou. (...)

Quinze Minutos de Fama
Algumas horas depois... Alexandra finalmente decidiu usar um top hippie-folk de frente única, jeans skinny e saltos de silicone transparente. Cinderela à espera do príncipe encantado...? Que nada!... O figurino estava devidamente encoberto sob um mantô, ou ela seria barrada na alfândega, quero dizer, pelos pais. (...)
- E aê!... Kelly; você não perde tempo, hein... – gracejou Alexandra, pois Kelly e Ronan estavam abraçados, e indagou: 
- Então... O que acham do meu look? – e desceu o mantô pelos ombros até a cintura.
- Você está demais!... – elogiou-a Ronan.
- Ronan!... – exclamou Kelly, em tom repreensivo. - Ele não é um fofo...? – acrescentou, e enlaçou-se na cintura do “fofo”. 
- Obrigada – agradeceu Alexandra, em tom singelo. Ronan abriu a porta dianteira do passageiro para Kelly entrar; Em seguida, abriu a porta de trás para Alexandra e, durante o percurso, entre um “papo furado” e outro, Kelly perguntou:
- Então... Que música você escolheu?
- Uma música da Madonna.
- Qual...? – perguntou Ronan.
- É surpresa... – respondeu Alexandra, instigando a curiosidade dos amigos.
- Contanto que não seja Erotica; Justify my Love; Ou Hanky Panky – censurou Kelly, e acrescentou:
- São canções ótimas, mas... Ousadas demais para uma performance adolescente. Pelo menos em público – gracejou.
(...) Ouviram muitos amadores desafinar, quero dizer, cantar, enquanto Alexandra aguardava a sua vez na lista de chamadas... E finalmente... O momento de subir no palco e arrasar, ou sair de lá arrasada. (...) Ela pôs as mãos no microfone e Beautiful Stranger começou a tocar no mesmo instante... Alexandra cantou, dançou e encantou toda a plateia – inclusive a galera testosterona. Desceu do palco ovacionada, mas foi surpreendida por um tiozinho que segurou-a pelo braço e propôs:
- Quanto você quer pela noite inteira comigo, princesa...?
- O quê...?! Acho que está havendo algum mal-entendido, senhor – respondeu Alexandra, e desvencilhou-se da mão dele.
- Se para você uma suíte, champanhe e morangos bastam... Podemos brincar de “Uma Linda Mulher” – argumentou o tiozinho, em tom de ironia.
- Como ousa...?! Eu podia ser sua filha seu... Safado! – Ela pegou um copo na mesa mais próxima e despejou toda a bebida na cara dele.
- Sua vadia insolente! – exclamou o tiozinho e levantou o braço para esbofeteá-la... Um rapaz manifestou-se em defesa de Alexandra e empurrou o tiozinho que, apesar de mais velho, era bem forte fisicamente e, decidiu provocar o rapaz aos berros: "Coloque sua cadela na coleira quando ela estiver no cio!" – Então, eles se engalfinharam e caíram sobre de uma mesa. Ao se levantarem, o tiozinho acertou um soco no rapaz que, ao tentar revidar foi segurado por Ronan. O tiozinho continuou a provocar: "Vamos!... Vem seu fedelho!... Vou te dar a surra que está pedindo!..." – Um abelhudo tentou apaziguar a briga, mas levou uma cotovelada do tiozinho no nariz e caiu desmaiado. Dois seguranças apareceram; E um deles acertou as costas do tiozinho com um golpe de cassetete; Ele caiu de joelhos... Mas levantou-se agarrado nas pernas de uma cadeira, e usou-a para nocautear o segurança que lhe desferiu o golpe nas costas. Ao ver que o parceiro de trabalho caiu desmaiado com a cadeirada; O outro segurança que tentava apaziguar o rapaz segurado por Ronan, sacou o revólver e apontou para o tiozinho que, puxou uma pessoa dos aglomerados e empurrou-a contra o seu oponente armado. No ímpeto de não ferir ninguém o segurança tentou amortecer o impacto da colisão com uma mão, e levantou a outra que segurava o revólver para cima, mas disparou acidentalmente contra o teto, antes de ir ao chão. E, enquanto o segurança procurava pelo revólver, o tiozinho fugiu do karaokê que, em polvorosa, foi esvaziado rapidamente. (...)
No percurso de volta para casa, e distante daquela confusão; Alexandra questionava o porquê daquele crápula ter armado aquele barraco. Ela exagerou na sensualidade da performance...? Nããão... Conclusão: o cara era mais um imbecil de plantão; Desses que não foram expelidos do útero materno, mas excretados.
(...) Então, depois de uma ducha quente, ela descalçou as suas pantufas do Mickey Mouse e, deitou-se em sua aconchegante cama com travesseiros macios e aromatizados com suave fragrância pueril. Recuperada do susto e, antes de cair no sono, ela supôs que talvez o lugar ideal para encontrar alguém fosse: "Um Cafe para solteiros...". 

Ligações Perigosas
Terça-feira
Ao anoitecer do dia seguinte; Lá pelas oito e meia; Alexandra chegou no Blue Zone Cafe – estabelecimento indicado por Kelly, na noite anterior – sozinha, pois era conveniente parecer disponível. Respirou fundo e adentrou no estabelecimento... E, de imediato, notou que havia poucas pessoas no ambiente: três homens sentados junto ao balcão do bar, duas mulheres desacompanhadas e dois pares de casais sentados nas suas respectivas mesas. O salão tinha grandes sofás de canto e, descendo três degraus ao centro, uma pequena pista de dança. A decoração toda, dos móveis às cores das paredes, era configurada em tons pastéis de rosa, roxo e azul.
Constrangida, Alexandra evitou olhar para os lados, escolheu uma mesa qualquer, e sentou-se. Reparou que na mesa tinha um telefone em formato de coração e, dois menus...?! Na verdade, um dos menus era uma lista dos ramais das outras mesas, e o outro do serviço de bufê. Ela tirou o fone do gancho, pediu um refrigerante zero e, após colocar o fone de volta no gancho, lentamente virou a cabeça para o lado e... Nada... Para o outro lado e... Ninguém interessante também... "Será que este lugar é sempre animado assim, ou estou com sorte", ironizou consigo.
Momentos depois o telefone tocou; Ela engasgou com o refrigerante, mas atendeu prontamente ao chamado:
- Alô...?
- Oi. Podemos conversar a sós...? – perguntou uma voz feminina em tom sedutor, ao telefone.
- Olhe... Não se ofenda, mas sou hétero, okay? Tchau – pôs o fone no gancho. O telefone tocou outra vez, ela atendeu:
- Não precisa ser rude por causa de uma cantada. O bar é GLS, Alice – resmungou a mesma voz feminina anterior, e abruptamente desligou.
"GLS...? Oh!... Sabia que aquele arco-íris na porta tinha algum significado... Como pude ser tão desatenta", pensou Alexandra.
Ela sentiu-se uma estranha no ninho, mas decidiu esperar porque não conhecia outro Cafe nas redondezas. Para ludibriar o tédio, ela pediu um muffin de cerejas e, no lugar da garçonete anterior, veio um garçom: loiro, alto e sarado; Perfeito, dentro da pólo justa do uniforme.
- Senhorita; O seu muffin – disse o garçom.
- Oh, obrigada; E ele veio em boa companhia; Quero dizer... Gostaria de ser esse muffin em suas mãos – instigou Alexandra, em tom malicioso, e deu uma piscadela para o garçom.
- Deixe seu telefone anotado que te faço uma massagem depois do expediente – propôs o garçom em tom malicioso e virou-se no intuito de servir outros clientes; Mas, Alexandra segurou-o pelo braço e indagou:
- Responda rápido... Você vai estar disponível no sábado às oito...?
- Não... – respondeu o garçom, sem entender tal atitude afoita da bela cliente.
- Pensando bem... Não quero as suas mãos no meu corpinho. Salário baixo me dá alergia – repeliu-o Alexandra, desdenhosa por sentir-se rejeitada, e agradeceu: - Obrigada.
Indignado, o garçom preferiu conter a ira para não perder o emprego, e foi servir outros clientes. Então, ela se pôs a degustar o seu muffin de cerejas. Chegaram mais pessoas e o ambiente ficou mais povoado por: basicamente uma galera alternativa, quero dizer, gays. Depois de escutar muito Village People, Gloria Gaynor e Donna Summer... Entre outras pérolas “disco”... As nove e quarenta o telefone tocou novamente... Alexandra atendeu indiferente:
- Alô.
- Oi... Estou na mesa sete e..., você é uma deusa – disse uma voz masculina, em tom sedutor. Surpreendida e lisonjeada; Enquanto agradecia, Alexandra procurou pelo dono da voz e constatou que o rapaz era esteticamente atraente e de aparência madura – o tal rapaz exalava autoconfiança, quero dizer, convencimento.
- Hoje é meu dia de sorte, porque você é perfeita para o meu próximo filme... Irei até a sua mesa e explicarei melhor. Tchau, lindinha – pôs o fone no gancho, e dirigiu-se à mesa de Alexandra.
- Oi. Meu nome é Marcus – polidamente beijou a mão de Alexandra, contemplou-a, e acrescentou:
- Belíssima!... Mas parece tão jovem... Quantos anos você tem, lindinha...?
- Vinte e dois. Mas sempre dizem que sou cinco anos mais jovem... Não é ótimo...?
- Ótimo! Não se preocupe com scripts porque meus filmes têm poucos diálogos. Você só precisa ter..., boa expressão corporal.
- Legal!... Fiz balé clássico dos seis aos catorze anos de idade. Mas... Que tipo de filmes você faz...?
- Bem... Digamos que sou ator e diretor nos meus filmes; E preciso tomar cuidado com os drinks, pois preciso de muita energia em cena – argumentou Marcus, e tomou um gole do uísque que trouxera consigo.
- Filmes de Ação!... – vibrou Alexandra. - Algum prêmio em Cannes...? Globo de Ouro...?
- Fui premiado no ano passado pela Goldmember Academy; Na categoria Power Erection – concluiu Marcus, orgulhoso.
- O quê...?! – exclamou Alexandra, pasmada. (...) 

Love On-line
On-line; Isolada em seu quarto; Numa típica quarta-feira chuvosa da cidade de Seattle; Alexandra narrava a cômica, quero dizer, trágica noite anterior para Kelly:
- Oi. Tudo bem...? Tive que me conter para não te ligar ontem... Então, troquei poesias com o Ronan no messenger para te deixar curtir a noite, sossegada – comentou Kelly.
- Poesia significa sacanagem, não é...? – gracejou Alexandra ao microfone do notebook.
- Não mude de assunto... Conte-me tudo e não poupe os detalhes; principalmente os físicos – respondeu Kelly.
- Foi uma verdadeira maratona de micos, Kelly. Uma garota me cantou; flertei com um garçom e...
- Garçom...?! Você está meio desesperada, não acha...? Por acaso, você paquerou algum indigente largado na rua enquanto voltava para a sua casa...? – debochou Kelly.
- A propósito... Por que você não me disse que o Cafe era GLS? – indagou Alexandra.
- GLS...?! O Sasha disse que esse lugar era legal, mas nunca estive lá... Desculpe.
- O Sasha é um excelente amigo e ótima companhia, mas até o DNA dele é gay, Kelly – ironizou Alexandra, e prosseguiu: - Deixe-me terminar, por favor. Então... Depois apareceu um cara e falou que me queria no próximo filme dele e blá, blá, blá... E que a minha participação no filme seria de pernas ao alto, e abertas – sussurrou.
- Como assim...? É a encenação de um trabalho de parto? – indagou Kelly.
- Não!... E também não foi um convite para o reality show "Grávida aos 16". O cara queria que eu estrelasse um filme pornô!... Ele insistiu, e teve a petulância de dizer que me pagava em cash!... Polidamente recusei e fui embora, pois aquele lugar estava me dando nos nervos.
- Que triste... Mas, quando vai ser o próximo encontro? Você devia filmar e vender para aquele programa... Freakyshow!... – gracejou Kelly.
- Muito engraçado... Então... Ligue para mim quando esgotar o estoque de piadas – resmungou Alexandra, e abruptamente saiu do messenger.
Alexandra fitou a tela do notebook por alguns momentos e resolveu acessar um chat de amizades e afins... Ela entrou em salas com indivíduos que não lhe despertaram nenhum interesse; À exceção de um rapaz que tinha o abdômen "tanquinho". Aliás, ela pôde conferir todo o “material” dele, porque ele vestia apenas uma touca estilo Fórmula 1 e nenhuma outra peça de roupa. (...) Perversões à parte, em outra sala do chat havia um jovem a fitar a tela do computador. Ele parecia hipnotizado, enquanto jogava paciência. O site abriu um pop-up de novo visitante; Ele minimizou a janela do jogo, e tomou a iniciativa da prosa... E Alexandra lhe deu ouvidos porque as feições do seu rosto lhe agradaram de imediato, e a sua fisionomia lhe trouxe à memória o ator Ashton Kutcher:
- Oi... Alana...? – indagou o rapaz.
- Oi... Alana é só um nickname. Sabe como são os chats... Cada sala uma surpresa diferente – respondeu Alexandra.
- Okay... Nicknames são de praxe on-line. O importante é ser sincero para fazer amizades e, talvez, conseguir um encontro legal – argumentou o rapaz, e perguntou:
- Mas... O que uma gata como você procura num chat?
- Ah, sei lá... Um cara legal para curtir umas baladas – dissimulou Alexandra.
- E o que seria para você um cara legal...? – perguntou o rapaz.
- Bem... Apenas seja você mesmo... E veremos o que rola, ou não. Então... Fale-me sobre você – respondeu Alexandra, e o rapaz prosseguiu:
- Bom... Tenho vinte anos; Estou cursando Direito; E gosto de viajar e conhecer outras culturas. Ano passado estive no Butão; Onde filmaram Little Buddha. Definitivamente é um lugar místico... E um contraste entre a ostentação e a pobreza. Afinal de contas, alguém sempre vive com mais regalias nas hierarquias religiosas. Sabe... Pagamos para nascer; Pagamos para viver... Alguém paga a conta quando morremos – gracejou, e prosseguiu o seu monólogo: - E ainda têm aqueles que nos moldes da fé contemporânea julgam ser justo cobrar pelas dádivas divinas séculos depois da abolição do imposto pela indulgência e da inquisição, pois o marketing religioso atual é mais idôneo, quero dizer, rentável. Pensando bem... Acho que estudarei teologia em algum seminário (risos). O problema é que provavelmente quebrarei o celibato. Mas nesse caso, o protestantismo tem as suas vantagens – gracejou o rapaz.
- Uau!... Você é estudante de Direito e também é guru!... – gracejou Alexandra. O rapaz percebeu que havia afinidade e o interesse em algo mais do que o bate-papo on-line e perguntou:
- Conheço um Cybercafe legal na 17 John Street. Então... Passo na sua casa ou nos encontraremos lá? – indagou o rapaz.
- Humm... Você tem algum ponto referência? – perguntou Alexandra.
- Fica entre a Broadoway e a Nassau Street... – respondeu o rapaz, mas estranhou a pergunta.
- Oh... Broadoway; New York City...? – perguntou Alexandra, porém já estava ciente da localização.
- Não, Smallville – gracejou o rapaz.
- Humm... Você acha que consegue um vôo para Seattle no sábado...? – perguntou Alexandra, a esmo.
(...) Infelizmente, o rapaz não demonstrou interesse sobre encontros de ponte aérea... Chateada, ela fitou a tela do notebook por alguns instantes e tentou uma nova conexão com Kelly que, papeava on-line com Ronan:
- Eu sei que o passe está livre enquanto seus pais estiverem em viagem; Mas como direi que dormirei na casa da Alex, se ela não quer falar comigo.
- Oi; Romeo & Julieta. Não posso descuidar que vocês partem para a libertinagem – gracejou Alexandra, invadindo o ciberespaço do casal, e prosseguiu:
- Tive uma ideia: o que acham de um luau à beira da piscina...? – e antes que qualquer um dos dois respondesse, ela concluiu: - Na casa do Ronan, é claro – e argumentou:
- Imaginem: os garotos somente de bermuda..., calção de banho... Ou sunga!... Vai ser o máximo!... – exclamou Alexandra.
- Não perece legal... – resmungou Ronan.
- Ronan convide seus amigos; E eles podem convidar outros amigos, quero dizer, garotas – argumentou Alexandra, e prosseguiu:
- Gatas maravilhosas desfilando de biquíni... Então... O que acha...? – argumentou Alexandra.
- É... Melhorou... – aprovou Ronan.
- Ronan fique longe de qualquer garota de biquíni, entendeu? – repreendeu-o Kelly.
- Claro; Pode ficar tranquila, bebê.
- Ronan; Não me chame de bebê, por favor.
- Por que não...? – perguntou Ronan.
- Porque não, okay...? – respondeu Kelly.
- Desculpe-me, florzinha – respondeu Ronan, e apaziguou-a.
- O quê?! – exclamou Kelly, e prosseguiu: - Olhe... O fato de eu ter contado que sou virgem não significa que você pode colocar apelidos simbólicos ou pejorativos em mim... Entendeu...?! Srº invicto... – concluiu Kelly, em tom irônico.
- Crianças... Calma, okay...? Mais tarde vocês lavam a roupa suja e decidem que "chamego" lhe cai melhor Kelly. Agora a questão é: você topa ou não, Ronan?
- Topo... Mas vocês me ajudarão com a limpeza; E serão responsáveis por quaisquer danos na casa, certo?
- Fechou!... – concordou Alexandra, sem esperar pelo aval de Kelly. Afinal de contas, como diz o ditado: "Quem cala consente". 

Luau de Máscaras
Quinta-feira
Os três começaram os planos para contratar um DJ, o serviço de bufê, comprar refrigerantes e, cervejas... Também bolaram flyers para distribuir e, no dia seguinte foram ao Seattle Park & Recreation. (...) Ronan, acompanhado de seus dois amigos, procuravam por garotas atraentes e disponíveis, enquanto Alexandra e Kelly flertavam, quero dizer, entregavam os flyers para os rapazes que faziam cooper, jogavam basketball, manobravam skates... Ou eram agradavelmente vistosos...
Depois da distribuição dos flyers, Ronan deixou Alexandra e Kelly em suas respectivas casas, e foi embora para a casa dele com os dois amigos, para organizar o ambiente para o luau.
Mais tarde; On-line; Alexandra e Kelly trocavam de figurino e opinavam sobre o que vestir para impressionar os mancebos. Coincidentemente, os pais de Alexandra foram jantar num restaurante no centro da cidade e tudo ficou simplesmente perfeito. (...)
Produzida e disposta a dançar a “hula” para conquistar um garoto, ela ligou para Kelly e esperou pela carona da amiga. Alexandra estava felicíssima porque tudo estava acontecendo melhor do que o planejado. Elas chegaram ao local combinado por volta das sete e quarenta da noite; E além de Ronan e seus dois amigos, apelidados de Stan e Olie – por causa da semelhança física com os atores –, não havia chegado mais ninguém. Sem pânico, elas pensaram que talvez fosse cedo demais; E, à medida que o luar se acomodava num céu de muitas estrelas... Chegavam os rapazes... E também algumas garotas para instigar a disputa.
Ronan revezava à entrada de sua residência com Stan e Olie, e liberavam os convidados que eram conduzidos até o ambiente da piscina, onde eram recepcionados por Alexandra e Kelly com "alohas!", e recebiam cocares confeccionados com flores naturalmente coloridas. Quando os cocares acabaram elas foram checar o ambiente, quero dizer, os rapazes. Mas estava difícil escolher um entre tantos garotos maravilhosos; Pois era puro voyeurismo.
Enquanto isso, Stan e Olie, que haviam trazido filmadoras digitais para induzir garotas atraentes, quero dizer, peitudas, à fazer topless para um suposto "teste de vídeo", entregaram cartões falsos de agenciadores para duas jovens. Depois, pediram para que elas os acompanhassem até a jacuzzi, pois era o cenário perfeito para o suposto teste. Detalhe: a jacuzzi no quarto dos pais do Ronan.
Perversões à parte... Alexandra encontrou um rapaz interessante, quero dizer, atraente: cabelo louro parafinado e bem curto – com detalhes desenhados à máquina –, olhos verdes; bronzeado; Vestia uma camisa com motivos havaianos desabotoada, exibindo o abdômen “tanquinho”; E um amigo à tiracolo. Quando o rapaz percebeu que estava sendo paquerado; dispensou o amigo e caminhou na direção de Alexandra e Kelly que, disfarçou e foi ajudar Ronan, pois os amigos dele haviam desaparecido. Caminhavam Alexandra e o rapaz na direção um do outro quando; foram acometidos pelos berros de três assaltantes que haviam rendido Ronan à entrada da residência. Os meliantes usavam máscaras do Huguinho, Zezinho e Luizinho.
- Todos com as mãos na cabeça!... Hey, você!... Continue tocando!... – bradou Huguinho, para o DJ.
- Todos dentro da piscina, rápido! – berrou Zezinho, depois de bater as carteiras e os celulares de todos os reféns.
- Todos dançando!... É... Hidroginástica pessoal!... – exclamou Luizinho, em tom irônico.
Huguinho impeliu Ronan para dentro da casa, mas foi informado de que não havia cofres por medida de segurança. Porém, o delinquente não acreditou e vasculhou todos os cômodos do pavimento onde estavam, mas não encontrou nenhum cofre recôndito. Então, o malandro ordenou que Ronan o conduzisse até o andar superior da residência... Já estavam próximos do patamar da escada que conduzia aos quartos quando Ronan – que seguia na frente, impelido por Huguinho – aproveitou a distração do espoliador ao som do "cuco, cuco" do relógio e lhe desferiu um golpe com o pé direito contra o peito que lançou o meliante escada a baixo... Depois de constatar que o mesmo estava desacordado, Ronan o imobilizou e atou-lhe as mãos e os pés com uma fieira, e lhe selou a boca com fita adesiva; Em seguida ligou para 911 e deixou a polícia ciente dos acontecimentos. (...) Na piscina, Alexandra olhava ao redor e procurava por Kelly ao mesmo tempo em que chamava o nome da amiga em tom de voz moderado para não atrair a atenção dos dois gatunos – que circulavam em volta da piscina e, de vez em quando, petiscavam algo do bufê, ou descaradamente solicitavam para o DJ trocar a música por outra quando decidiam que o som era ruim, segundo a opinião deles, ou sugestionavam canções para o mesmo –, mas levou algum tempo para elas se visualizarem no meio daquela desordem de pessoas a se movimentar dentro d'água e murmurar ao mesmo tempo. Então, nadaram entre as pessoas e quando estavam próximas o bastante para discorrer sobre a terrível situação que acometeu a todos naquele entardecer tépido que, deveria ser simplesmente agradável e proporcionar diversão, apenas lhes restou lamentar e suplicar para que nada de mais grave acontecesse a todos os reféns envolvidos. E nem sequer passou pela mente atordoada de Alexandra procurar por alguém dentre os atraentes rapazes ao seu redor dentro da piscina ou até mesmo pelo aprazível rapaz que havia lhe despertado o interesse momentos antes daquele molesto imprevisto, pois em sua mente atemorizada antecipava as consequências desastrosas que supostamente aconteceriam se os seus pais soubessem da arriscada situação em se meteram. (...)
Enquanto isso, Zezinho e Luizinho estavam apreensivos com a demora do comparsa, e decidiram debandar sem o retardatário porque o soar das sirenes de polícia estava cada vez mais alto:
- Droga!... Vamos dar o fora daqui!... – propôs Zezinho, e ordenou:
- Ninguém sai da piscina!
- Ou leva chumbo! – bradou Luizinho.
Mas antes que pudessem dar as costas aos reféns, os meliantes foram surpreendidos pelo estalido de gatilho dos revólveres dos policiais do resgate.
(...) Algumas horas depois de prestarem o seu depoimento na delegacia; Alexandra, Kelly e Ronan foram liberados. Ronan teve a sorte de não ser detido, pois apresentou a identidade falsa que usou para comprar as cervejas, temendo que alguém do distrito ligasse para seus pais, e eles soubessem do luau que foi realizado às escondidas. E, em detrimento disso, ele – anfitrião emancipado – se responsabilizou pelo contingente adolescente, quero dizer, Alexandra e Kelly; porque felizmente: somente a extensa ficha dos marginais foi investiga no levantamento policial. (...)
Alexandra chegou em casa por volta das onze e quarenta, e pôde ouvir o som do home theater ligado... Ela desligou o aparelho, pois seus pais haviam caído no sono; Contudo, ao silenciar o ambiente, seus pais despertaram...
- Oh... doçura; Você chegou... – bocejou a sua mãe, sonolenta.
- Que horas são...? – perguntou o seu pai, bocejou, e acrescentou:
- O filme estava tão entediante que adormecemos...
- É quase meia-noite. Vocês já deveriam estar deitados, não me esperando... – gracejou Alexandra, com as mãos na cintura.
- Divertiu-se no luau? – perguntou o seu pai.
- Sim; Foi ótimo... – respondeu Alexandra, dissimulou, e prosseguiu: - O Huguinho, o Zezinho e o Luizinho também foram convidados... Agora, tomarei uma ducha e dormirei feito uma pedra, pois estou exausta... Boa-noite mãe; Boa-noite pai.
- Huguinho, Zezinho e Luizinho...? Que tipo de luau foi esse...? – indagou o pai, desconfiado.
- Talvez... Um luau de máscaras...? – gracejou a mãe.
- Adolescentes são esquisitos – comentou o pai.
- Nossos pais pensavam o mesmo sobre nós, querido. Quer saber... A noite é uma criança... – Enlaçou-se nos braços do marido, e prosseguiu: - Te farei aquela massagem sensual que aprendi no curso: "Como conquistar um homem, e mantê-lo fiel". (...) 

Partida de Baseball
Sexta-feira
- Alexandra...? – a sua mãe bateu na porta do quarto e entrou. - O café da manhã está servido – anunciou à filha, e acionou o botão do controle que abriu as cortinas. - O dia está lindo!... Aliás, perfeito para encontrar aquele rapaz... O Justin...
- Mãe... Sem pressão... – bocejou Alexandra, sonolenta, e cobriu a cabeça com o edredom.
- Eu sei... Só quis te refrescar a memória. Levante-se, lave o seu rosto e desça – ordenou à filha e saiu do quarto.
Sem perder tempo; Antes do desjejum; Alexandra ligou para Kelly e pediu conselhos sobre quais argumentos deveria usar para reconquistar Justin; Pois aparentemente, ele era a sua última alternativa.
- E aê, Kelly!... – cumprimentou Alexandra.
- Tudo bem; Apesar do ciúme que me consome as entranhas – ela respondeu.
- Ciúmes...? Por quê...? – indagou Alexandra.
- Você sabe por que não conseguimos encontrar o Stan e o Olie...? – perguntou Kelly.
- Não; O que aconteceu? – perguntou Alexandra, curiosa.
- Eles ficaram no quarto dos pais do Ronan com duas garotas. Hoje de manhã quando Ronan foi usar o banheiro, tinha uma garota no chuveiro do quarto dele; Pode...?! Eles inventaram uma estória de agenciadores de modelos, e elas caíram na "pegadinha" do teste de vídeo.
- Minha nossa!... Não precisa entrar em detalhes – disse Alexandra.
- Não sei os detalhes, e nem quero saber... – resmungou Kelly.
- Kelly!... Temos que ajudar o Ronan com a limpeza da casa!... – exclamou Alexandra.
- Não se preocupe... Ele colocou os dois amigos para fazer a faxina. Assim, eles compensarão o abuso da hospitalidade. Ronan disse que eles não acreditam no que aconteceu ontem... Eles acham que o boletim de ocorrência é tão falso quanto a identidade do Ronan.
- Antes fosse mentira... Ao invés de todo aquele pesadelo que passamos naquele luau maldito. Mas... Mudando de assunto... Preciso de sua ajuda, Kelly; Quero dizer, conselhos. Ligarei para o Justin. O que direi a ele...? Darei que desculpas por tê-lo desprezado quando procurou por mim...?
- Diga que a sua mãe é amnésica, e que não se lembrou de passar os recados; Que quando você o dispensou – disse Kelly, em tom repreensivo –, quero dizer, quando ele decidiu terminar o namoro, você tentou não desmoronar e preencher a lacuna do seu coraçãozinho fazendo terapia ocupacional tipo... Yoga... Balé... Ou boliche... Diga que está arrependida, e que ele está na sua mente 24 horas por dia; Que foi orgulhosa, mas que sente que foram feitos um para o outro. Seja dramática!... Chore, se for preciso.
- Minha nossa!... Você devia abrir um consultório sentimental!... Obrigada, mas tentarei argumentar algo sem me humilhar tanto – resmungou Alexandra. 

(...) Surpreendentemente, Justin foi atencioso ao telefone e pediu que Alexandra o encontrasse no Safeco Field, pois tinha uma partida decisiva para decolar sua carreira de jogador profissional de baseball. Patrocinadores e trainers do Mariners de Seattle procuravam por novos talentos entre os jovens amadores daquela final estadual do campeonato entre os colégios de Washington, DC, realizado anualmente na cidade sede do time. (...) 

Alexandra permaneceu calada e sentada durante os primeiros quinze minutos da partida, visto que a equipe do colégio adversário estava dois pontos acima no placar:
"Três a um para o Coyotes! E agora, temos uma substituição: Justin e o seu "bastão mágico" reverterão o placar para o Hawks...?! Vamos conferir!...", narrou o eloquente locutor. E ele não decepcionou; Batendo uma bola que foi às alturas, na direção da arquibancada... Alexandra saltou do lugar e gritou eufórica: "Eu pego! Eu pego!" – Mas ela subestimou a velocidade da bola que, passou por entre as suas mãos e acertou-lhe bem na fronte.
(...) Algumas horas depois, ela despertou no quarto de um hospital com uma marca redonda e avermelhada na testa... O seu pai, a sua mãe, Kelly e Ronan estavam apreensivos porque Alexandra estava quase há cinco horas inconsciente...
- Que bom que você acordou, princesinha. Você está bem...? – perguntou o seu pai, preocupado.
- O que aconteceu? – indagou Alexandra, meio grogue. - Cadê o Justin...? Eles venceram...?
- Calma... Você precisa repousar, enquanto aguardamos o resultado do encefalograma – recomendou a sua mãe.
- Encefa... o quê...? – indagou Alexandra, meio zonza. - Por que minha cabeça pesa, e dói...? Outch!... – resmungou e, cautelosa, tocou com a ponta dos dedos na testa; Onde sentia o ardor.
- Você levou uma bolada na testa – respondeu Kelly, e disfarçou o sorriso eminente nos lábios. - Mas não se preocupe porque os médicos disseram que foi apenas superficial – concluiu, e dissimulou seriedade.
- E agora, repouse... – recomendou o seu pai. - Depois conversaremos melhor, okay...?
Alexandra afirmou com os lábios num sussurro “Okay...”, fechou os olhos e tornou a repousar, pois estava sonolenta por causa dos medicamentos. (...) 

O Baile de Formatura
Sábado
- Bom-dia, doçura. Você está melhor...? – perguntou a sua mãe; Em seguida pôs a bandeja com o café da manhã na cama de Alexandra e sentou-se à mesma.
- Bom-dia, mamãe... – cumprimentou-a, num bocejo.
- Você perdeu a cerimônia de entrega dos diplomas pela manhã, mas parece que está pronta para o baile, pois a compressa que fiz deu resultado... Você está sem inchaço e vermelhidão na testa. A propósito... O Justin deixou este bilhete comigo porque você estava inconsciente, e ele, estava eufórico para comemorar a vitória do jogo com os outros Hawks – Alexandra fitou o bilhete na mão de sua mãe e, apesar da curiosidade, não teve coragem de ler... - Talvez você tenha razão sobre não tolerar a ausência dele por conta do baseball – comentou a sua mãe, e deixou o bilhete na bandeja, antes de sair do quarto.
Alexandra, ansiosa, rapidamente pegou o bilhete para lê-lo: “Temos ambições diferentes e não abrimos mão do que acreditamos ser o melhor para as nossas vidas. Consegui patrocínio e jogarei no Mariners. Preciso evitar situações estressantes. Estimo melhoras. Tchau. Justin.”
- Situações estressantes?! Mas que filho da _ _ _ _! (...) (...) (...)
- Oi, gandula. Você está bem...? – perguntou Kelly, falando ao celular.
- Rá; rá... – respondeu Alexandra, pausadamente, e em tom irônico.
- Então... Vamos sair e comprar os nossos vestidos? Ajude-me a escolher algo sexy, porque não quero o Ronan distraído com outras garotas.
- O Justin me dispensou... Estou de luto... Portanto não irei ao baile – respondeu Alexandra, conformada.
- Oh... Sinto muito... Azar o dele, porque perdeu uma garota legal; quero dizer, incrível!... – argumentou Kelly, para consolar e animar a amiga.
- Você é uma garota legal, Kelly. Eu... eu sempre fui malvada com os meus namorados; E agora estou recebendo o troco. Já posso até visualizar o meu futuro quando terminar a faculdade: farei mestrado em ciências matemáticas; Lecionarei para adolescentes rebeldes... Comprarei um apartamento no centro da cidade; Adotarei um gato persa e uma cadela pequinesa; E também comprarei uma samambaia. Pensando bem... É responsabilidade demais para alguém como eu... Creio que somente um betta seria o ideal; Uma refeição diária... É solitário... Nos entenderemos perfeitamente bem... E não discutiremos a nossa relação... Sorte a minha que as paredes têm ouvidos; Pois elas serão as minhas únicas confidentes – queixou-se Alexandra, com ar de contrariada.
- Mesmo...?! Sou uma garota legal, mas fui... Você sabe... Chifrada... – sussurrou Kelly. Tudo nessa vida é tão imprevisível... E isso é uma regra universal para qualquer situação; Inclusive relacionamentos... Portanto, não adianta flagelo por causa “deles”. Quer saber...? Você pode comprar o beta, o gama, ou o delta... O que você faz com o seu dinheiro não é da minha conta; Mas... Que estória é essa de “As paredes serão minhas únicas confidentes...”. E o nosso pacto: "Amigas para sempre!...". Lembra...? – indagou Kelly. 

"Você está tão linda – comentou Kelly, elogiando Alexandra em uma das sessões de pintura, quero dizer, maquilagem que costumavam acontecer quando ambas eram crianças. - Sombra cor-de-rosa destaca seus olhos; E também combina com a sua pulseira – concluiu. - Obrigada. Esse colar de pérolas também ficou muito chique em você – retribuiu Alexandra. - É da minha mãe... Ela me deixou trazer; Mas não posso perder. - Sua mãe é legal, Kelly. Você quer ser minha amiga para sempre...? - Claro que sim... – respondeu Kelly. - Vamos fazer um pacto...? – propôs Alexandra; Tirou a pulseira de bolinhas poligonais de plástico que usava e colocou-a no pulso de Kelly que, inocentemente perguntou: - Mas o que é um pacto...? - É igual vi num filme ontem: duas amigas e um canivete... - Esse é o nome do filme...? – perguntou Kelly. - Não... – respondeu Alexandra, e prosseguiu: - Me deixa terminar, por favor... Daí uma delas cortou a palma da mão e a outra fez igual... Então, elas juntaram as mãos assim e uma de cada vez disse: Amigas para sempre!... – demonstrou Alexandra. - Ahrg!... Que nojo!... – resmungou Kelly, desvencilhou-se da mão da amiga, e concluiu: - E também deve doer muito, Alex. Pegue; Fique com este anel que veio no cereal porque não quero cortar a minha mão." 

Enquanto relembrava, Alexandra locomoveu-se até a penteadeira e pegou no porta-joias o anel imitação de diamante que era de acrílico cor-de-ametista ofuscado pelo tempo e, observou-o por alguns instantes...
- Ultimamente tenho falado antes de pensar no que dizer... – ponderou. - Kelly... Você acredita que o amor verdadeiro acontece uma única vez...? – questionou Alexandra. - Quero dizer... Rose DeWitt Bukater se casou novamente, depois que Jack foi à pique... Ela devia ter feito voto de castidade, não acha...?
- Ela era burguesa e não uma noviça, Alex – refutou Kelly.
- Não seja rude... Estou carente e preciso de conselhos... Não é para isso que servem as amigas...? Então... Fale algo inspirador..., revigorante..., e ajude-me sair dessa fossa – solicitou Alexandra, com instância.
- Vou tentar, okay...? – Kelly respirou fundo de olhos fechados com a mão direita aberta sobre o peito como se buscasse por alguma inspiração e depois prosseguiu:
- Vejamos... Creio que não existam regras para os relacionamentos e sim acordos entre os envolvidos, mas... Qualquer um sabe quando uma "pegada" se torna compromisso, certo?
- Certo... – concordou Alexandra.
- Ou... Quando não há mais afinidade ou sentimento verdadeiro entre o casal, certo?
- Certo... – respondeu novamente Alexandra, porém achou que as respostas àquelas perguntas eram óbvias.
- E quando o amor, romance ou atração física acabam... É partir para algo novo ou viver do passado feito o Louvre... O problema é que não somos de concreto e aço; E precisamos dar e receber amor, afago e afeto... Olhe... Algumas pessoas são felizes com a sua religiosidade... Ou fazendo caridade... Lecionando!... Outra opção é: fingir que tudo vai bem e ir a sessões de psicoterapia – gracejou Kelly, e prosseguiu:
- Infelizmente não existe a bula da vida perfeita, Alex. Quer saber... É impossível não “se encontrar” sendo honesta consigo... – houve uma pausa na conversa.
- É tudo...?! Não tem mais nada a dizer...? – indagou Alexandra, desapontada. - Okay... Entendi, srtª Dalai Lama... Mas preciso encontrar um cara legal que me acompanhe ao baile... E que eu possa enlaçar o meu braço esquerdo ao direito dele antes de entrar naquele salão de festas; Senão... Estou arruinada, falida, humilhada e por fim... Serei eternamente ridicularizada.
- Posso ligar para o Ronan e pedir o telefone do Stan, ou do Olie... O que você acha...? – perguntou Kelly, sem ter mais opções.
- Acho que vou escolher nenhuma das alternativas... Mas obrigada... Ficarei em casa sob penitência... E assistirei Romeo & Julieta... TITANIC e... Um Amor Para Recordar.
- Minha nossa... Ao menos deixe uma garrafa de água por perto, ou você pode até desidratar de tanto chorar... – comentou Kelly, em tom irônico. - Você já tentou o catálogo telefônico...?
- Quê...?! Não estou tão desesperada a ponto de alugar um acompanhante, obrigada – disse Alexandra, em tom ríspido. - E além do mais... Cedo ou tarde, todos ficariam sabendo. Seria humilhada em pleno baile de formatura; E depois pela minha família quando soubessem, e pelos meus netos, e bisnetos... – reclamou.
- Tá!... Não precisa emburrar!... Foi apenas uma sugestão... Me liga quando mudar de ideia, okay? Beijos... Tchau tchau – despediu-se Kelly.
- Tchau... – desligou. "Grande conselheira...", pensou Alexandra.
Ao deixar o seu celular na penteadeira, olhou-se no espelho, e deparou-se com o reflexo descontente do seu semblante. Momentos depois, ela abriu o seu notebook, pesquisou por agências de acompanhantes, e resolveu ligar para uma delas... Quando ouviu a saudação “alô” do outro lado da linha, abriu os lábios na tentativa de uma resposta, mas desligou logo em seguida, constrangida, e desistiu da ideia de contratar um acompanhante. (...) Durante o almoço a mãe de Alexandra esperava algum comentário sobre Justin, ou sobre o baile de formatura; Mas a filha permanecia absorta e reservada. Então, para quebrar o gelo, a sua mãe comentou sobre uma futura viagem ao Brasil e conhecer a Bahia, quando Alexandra saísse de férias da universidade no ano vindouro... "Caminharemos pelas praias paradisíacas... E, talvez, faremos um tour pela Amazônia..." Eloquente ela falava como se tivesse calcado o solo tupiniquim antes... Prosseguiu com seu discurso persuasivo e prolongou o seu monólogo até conseguir arrancar algumas palavras de sua filha:
- Adoro quando seu pai planeja viagens de surpresa... Foi tão romântico quando fomos para a Itália... E navegamos de gôndola pelos canais de Veneza... – comentou a sua mãe, e divagou por alguns instantes.
- Também lembro... Passei o fim-de-semana mofando com a vovó e o vovô, enquanto vocês namoravam nos canais de Veneza... – comentou Alexandra, em tom irônico.
- Não seja tão egoísta, doçura. Seu pai trabalha demais e quase não temos tempo para celebrar a vida e usufruir os frutos de tanto labor... ­– a sua mãe concluiu, e prosseguiu:
- Terminou o almoço...? Quer sorvete de sobremesa...?
- Não, obrigada. Sabe... Muito calórico... – respondeu Alexandra, sem demonstrar interesse.
- Que tal um Besouro? – perguntou a sua mãe.
- Besouro...? É algum tipo de sobremesa exótica, ou Timão e Pumba são os novos chef's de cozinha...?
- Este Besouro... – respondeu e balançou a chave do automóvel.
- Minha nossa!... Beetle, o carro...?! – Alexandra pulou do lugar onde estava sentada à mesa, pegou a chave e saltitante abraçou a sua mãe.
- Seu pai trouxe ontem... Gostaria que ele estivesse aqui para ver o seu rostinho de felicidade. Mas ele foi para Detroit e pediu para eu lhe fazer uma surpresa; Antes que você o descobrisse na garagem.
- Ligarei agora para agradecer – Alexandra teclou, mas o seu pai não atendeu. - Ele deve estar ocupado... – resmungou meio descontente, e prosseguiu: - Tentarei ligar novamente mais tarde.
- Tem mais uma surpresa... Uma limusine com chofer vem te buscar e levar ao baile de formatura – disse a sua mãe, e sorriu.
- Baile de formatura...? – perguntou Alexandra, com ar de indecisão e meio constrangida.
- Sim; Por quê...? – indagou a sua mãe, e prosseguiu: - Ou você não quer ir ao baile por falta de companhia...? Oh... Não se preocupe com isso... Quando você chegar lá, basta escolher um rapaz entre os de boa índole e pronto. Okay...? É simples... E não é nenhum fim do mundo, doçura – concluiu, na tentativa de animar e apaziguar a filha.
- Não é isso; É que... Eu tinha esquecido que o baile de formatura é hoje; Mas agora lembrei. Aquela bolada na testa deve ter afetado meus neurônios – gracejou Alexandra, e tentou dissimular o fato de que havia desistido de ir ao tal evento.
- Você está bem...? Sente dores de cabeça...? Os médicos disseram que devem ser informados sobre qualquer anormalidade... Talvez devêssemos voltar ao hospital e solicitar novos exames, não acha? – indagou a sua mãe, preocupada.
- Não; Estou bem... Não se preocupe, mamãe. Foi apenas uma omissão corriqueira. Obrigada, mamãe... – Alexandra abraçou-a novamente, e concluiu: - Não me deixe esquecer de agradecer também ao papai pelas surpresas... – e, naquele momento, divagou conduzida por um pensamento absurdamente estranho: "Limusine com chofer... Hummm, minha chegada triunfal ao baile não vai ser nada discreta...", e imaginou todos do cólegio observando-a descer da "limo" sozinha, meio constrangida... Então suas faces enrubesciam de vergonha até que, de repente, a sua cabeça se transformava num enorme tomate vermelho que ela tentava inutilmente esconder forçando a entrada de volta na limusine; enquanto alguns cochichavam esboçando um sorriso maldoso nos lábios e os demais riam ou soltavam gargalhadas. (...) Mas, felizmente, ela tornou a si mesma daquele pesadelo horripilante ao perceber em sua mente distante os ecos da voz suave e amorosa de sua mãe lhe dizendo:
- Você merece o melhor, doçura – concluiu e, enquanto tirava a mesa, ela acrescentou:
- A propósito, o pessoal da estética vem às 15h00...
(...) Escova, maquilagem, pedicuro, e o pessoal do serviço estético foi dispensado. Alexandra lembrou-se de que faltava o vestido; Mas não queria desapontar os seus pais; Então, ela procurou em seu closet por algo que fosse apropriado para ocasião e, optou por um vestido que usara em uma cerimônia de casamento. Ela vestiu-se, disfarçou a tristeza com um sorriso dissimulado nos lábios, e foi despedir-se... Sua mãe, emocionada, fitou-a por alguns instantes; Nada comentou sobre o bis do vestido e enleou ao pulso de Alexandra o delicado buquê que usara na mesma ocasião anos atrás quando tinha a mesma idade de sua filha.
- Oh, Alexandra... Você está tão linda... – segurou nas mãos dela e acrescentou:
- Os garotos disputarão você às tapas – gracejou.
- Milagres acontecem – murmurou Alexandra, antes de o interfone tocar.
- Você disse algo, doçura...? – indagou a sua mãe, enquanto ia atender ao chamado.
- Não... Só estava pensando alto... – dissimulou Alexandra.
- O chofer chegou – anunciou a sua mãe, e prosseguiu: - Divirta-se, okay? Porque é um momento único; E ninguém tem o direito de torná-lo menos especial para a nossa princesinha.
- Okay... – concordou Alexandra e abraçou a sua mãe, ternamente.
- Oh, não amasse o vestido... Quero dizer, não comigo – gracejou a sua mãe e sorriu.
- Tchau, mãe.
- Tchau, doçura.
(...) Alexandra permaneceu em silêncio durante todo trajeto. Quem diria... A garota popular do colégio estava indo para o baile de formatura sozinha. (...) "Chegamos senhorita", anunciou o chofer. Mas ela estava em outro planeta; Ou pelo menos era onde ela desejava estar naquele momento. O motorista saiu da "limo", fez meia volta no veículo até o outro lado, abriu a porta e repetiu: "Chegamos, senhorita Alexandra." – Ela saiu daquele transe; Fitou a suntuosa entrada do Jubileu's Saloon, e saiu... Sentiu um frio na barriga, mas respirou fundo e prosseguiu... Chegou num saguão com sofás de couro sintético vermelhos, paredes espelhadas e um belíssimo lustre suspenso... Ela parou e, sem perceber, manteve considerável distância do anfitrião que, polidamente cumprimentou-a: "Boa-noite, senhorita." – Alexandra fitou-o por alguns instantes com o olhar distante e o esboço de um sorriso nos lábios; Abriu a bolsa de mão e pegou um convite impresso e personalizado para os formandos daquela ocasião inesquecível... Trêmula, ela estendeu o braço para entregar-lhe o convite que, escorregou de sua mão no intervalo entre ambos e foi ao chão. Alexandra deu passos regressos, pois queria deixar todo o suplício daquele Ritual de Passagem para trás; Virou-se e, colidiu com um rapaz que chegara naquele momento – ambos desmoronaram ao chão.
- A senhorita está bem...? – perguntou o anfitrião.
- Sim..., estou bem..., obrigada... Sinto muito – Alexandra desculpou-se com o rapaz, enquanto se levantava ajeitava o seu vestido.
- Estou bem..., não se preocupe... – disse o rapaz, erguendo-se do chão.
- Eis o seu convite senhorita...? Alexandra – disse o anfitrião, após ler o nome dela impresso.
- Oh... Ótimo... Queime ou amasse e jogue no lixo, por favor. Com licença... – disse Alexandra, e caminhou apressadamente na direção da saída do salão...
- Alex!... Espera!... – exclamou o rapaz.
- Te conheço de algum lugar...? – indagou Alexandra, com desdém; Como se não tivesse notado a boa aparência do rapaz, apesar de tê-lo feito.
- Estudamos no mesmo colégio... Meu nome é Christopher – disse o rapaz, e estendeu a mão para cumprimentá-la, mas ela ignorou o gesto. - É que você é uma garota popular entre os rapazes do colégio – discorreu Christopher, na tentativa de uma oportunidade para argumentar algo mais...
- Oh... Entendi... Você quer entregar em mãos o troféu “Vaca do Ano”...
- Não... – respondeu Christopher com brandura, e fitou-a nos olhos com semblante afetuoso.
- Então... O que você quer...? – ela indagou a esmo e ao mesmo tempo curiosa.
- Me concede a honra de uma dança...? – ele perguntou e estendeu a mão outra vez. - Prometo que não tropeçarei nos seus saltos – gracejou, sorriu, e insistiu: - Por favor...
Apesar do embaraço, Alexandra lembrou-se de que era exatamente o que havia procurado perseverante, durante uma semana de fracassos consecutivos... Esboçou um sorriso encabulado nos lábios... Consentiu e segurou na mão de Christopher; Num gesto de celebração ao princípio das novas descobertas de uma garota popular que, tão somente, necessitava compreender que a vida pode, e deve ser... Surpreendente.